Como ocorrem as crises de Transtorno de Pânico?
As crises de Transtorno do Pânico costumam surgir de forma intensa e inesperada, causando um sofrimento psíquico profundo. Muitas pessoas descrevem a sensação como um medo súbito e avassalador, acompanhado de sintomas físicos tão fortes que levam a acreditar que algo grave está acontecendo. Não é raro que a primeira reação seja procurar um pronto-socorro, imaginando um infarto ou outro problema de saúde.
Na clínica, escuto com frequência relatos de crises que começam em situações comuns do dia a dia: no meio de um passeio no shopping, dirigindo tranquilamente para casa após o trabalho, durante um momento de lazer com os filhos ou até em um parque de diversões. Um dos contextos mais frequentes é o aeroporto. Antes do embarque ou já dentro do avião, algumas pessoas começam a sentir falta de ar, tontura, aceleração do coração e um medo intenso de perder o controle, o que faz com que o pânico de voar se torne cada vez mais limitante.
Com o tempo, o medo de ter novas crises passa a influenciar o comportamento. A pessoa começa a evitar lugares, viagens, compromissos ou situações que associa ao mal-estar, vivendo em constante estado de alerta. Outros transtornos de ansiedade também podem apresentar sintomas semelhantes aos do pânico, como a fobia social, a agorafobia, o transtorno de estresse pós-traumático e o transtorno obsessivo-compulsivo.
No cérebro, existe um sistema responsável por identificar ameaças e preparar o corpo para reagir, liberando adrenalina para a resposta de “luta ou fuga”. No Transtorno do Pânico, esse alarme dispara sem que exista um perigo real. O corpo reage como se estivesse em risco, mesmo quando a pessoa está apenas caminhando em um shopping, sentada em um avião ou em um momento que deveria ser tranquilo.
As crises podem acontecer em qualquer lugar e a qualquer momento, durando, em média, entre 15 e 30 minutos. A diferença entre ansiedade e transtorno do pânico está principalmente na intensidade dos sintomas e na imprevisibilidade das crises, que surgem sem um motivo aparente.
Durante ou após as crises, é comum surgirem:
preocupação excessiva com novas crises
medo constante e generalizado
pensamentos negativos ou catastróficos
sensação de desrealização, como se tudo estivesse estranho ou distante
dificuldade de concentração, raciocínio e tomada de decisões
Esses sintomas acabam desorganizando o equilíbrio emocional e cognitivo, afetando a rotina, o trabalho e as relações pessoais.
Os sintomas físicos costumam ser intensos e assustadores, entre eles:
palpitações e taquicardia
aperto ou dor no peito
sensação de falta de ar
desconforto abdominal
suor excessivo
tensão muscular
tontura
tremores
visão embaçada
Muitas vezes, é justamente a intensidade desses sinais que alimenta o medo de que algo grave esteja acontecendo, mantendo o ciclo do pânico.
O Transtorno do Pânico é uma condição de saúde mental e pode ser tratado. Quanto mais cedo houver diagnóstico e acompanhamento, melhor costuma ser a resposta ao tratamento. A psicoterapia ajuda a compreender o funcionamento das crises, reduzir o medo antecipatório e desenvolver recursos para lidar com os sintomas, inclusive em situações como viagens, deslocamentos e ambientes fechados. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico e o uso de medicação podem ser indicados após avaliação cuidadosa.
Embora não se fale em cura definitiva, o transtorno pode ser controlado, permitindo que a pessoa retome atividades que antes evitava e recupere qualidade de vida.
Se você tem vivido crises intensas, medo constante ou passou a evitar situações por receio de novos ataques, buscar orientação com um psicólogo clínico é um passo importante. O cuidado adequado ajuda a reconstruir a sensação de segurança, autonomia e confiança no próprio corpo.

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